Análise de imagem
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Luana Navarro

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Fotos: Luana Navarro – Ensaio “Micro-Resistências” (2008-2011)

Na pele e da pele, revisamos estatutos, tiramos do corpo o que vai além do que é indefectível a cada silhueta. Na arte, o território do corpo reverbera, tanto na performance, na autrorepresentação como na figuração, estágios e estados de reflexão em distintas proporções. Umas vezes, o corpo emana o real (pela mimese), outras vezes rompe os paradigmas de sua própria forma. E seguimos, através de envolvimentos e provocações.

Na pele e da pele, ela poderia ser sutil. Prefere não ser. A fotógrafa Luana Navarro descortina seu corpo por frontalidades, redundâncias e encenações. Faz algo que preciso mencionar o sempre irretocável Vilém Flusser quando define o signo como “fenômeno cuja meta é outro fenômeno”.

Nas imagens Micro-Resistências (2008-2011), Luana apresenta a investigação simbólica sobre o corpo em lugares plausíveis e espaços inóspitos. Propõe colocar aparentemente impávida, costurando tensões, a pose entregue ao sentido especial do simbolismo. Fragilidade e vulnerabilidade estimulam saídas para este trabalho.

No ensaio Do que sou e não posso dizer que sou (2010), apesar de ser autorretratos, a identidade é velada, ampliando a percepção sobre a temática que problematiza sentimentos profundos. As fissuras e entranhas desarticulam o índice para a falácia de formas vulneráveis. Nesse trabalho, Luana Navarro descortina o corpo do sentido estético e indicial. Revela o avesso, marcas e suturas que ressaltam a força dramática subjetiva deste ensaio.

A técnica artesanal enfatiza a materialidade – o que causa ainda mais o impacto visual. Luana Navarro imprime nesses dois trabalhos a inquietação pelo que carregamos em nosso corpo e que a fotografia, de alguma maneira, lança luz ao que está dentro e diante de nós.

Georgia Quintas, março de 2012.

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Série “Do que sou e não posso dizer que sou” (2010)

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 BIOGRAFIA

Curitiba (PR), 1985.

É formada em Comunicação Social – Jornalismo (PUCPR – 2009), e aprofundou seus estudos sobre fotografia no Núcleo de Estudos da Fotografia (Curitiba 2007-2009). Em 2010 recebeu o XI Prêmio Marc Ferrez Funarte de Fotografia – produção crítica e teórica, desenvolveu o projeto Imaginários Compartilhados através do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 2009 e o projeto Fordlândia através do mesmo programa no ano de 2010. Atualmente realiza o projeto Espreme que sai sangue pela Bolsa Produção em Artes Visuais da Fundação Cultural de Curitiba.  Vive e trabalha em Curitiba.

Site: http://luananavarro.com/

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