Análise de imagem
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Mariana David

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Fotos: Mariana David – Ensaio “Antes” (2010)

Antes do começo, se vê de uma forma. Antes do começo, se sente de uma maneira. Antes do começo, pensamos de um modo que só parece existir aquele.

Antes do começo, é o recuo, a curva que ainda não contornamos. O antes é a fotografia que surge e nos guarda na imagem. O começo é quando passamos a lidar com o mundo pela fotografia. Quando encontramos em sua longevidade a cavidade de afetos, significados, conflitos, ideias, algumas verdades, um punhado de mentiras (ou o inverso), a compreensão de uma época, moldes de brincar de ser, de representar sempre.

Nesse mundo visual, o tempo não é linear, mas sim da ordem de naturezas diversas que alinhavam a memória. Passamos então a ter a impressão de dissolver-se em imagens. A fruição passa a ser uma grande experiência, a iminência da passagem. Sempre um começo. A fotógrafa Mariana David de gesto minucioso vai de uma ponta a outra desta curva. Propõe visões distintas pela fotografia.

Incipiente, talvez determinarmos o trabalho de Mariana por gêneros e funções em seu modo de lidar com essa linguagem. Então, por substituição, consideremos poesia e estratégia para situarmos modos pelos quais ela processa a expressão fotográfica.

Em Antes (2010), há o gesto solto, a paisagem baça. Coisas poucas, coisas delicadas. Algo que ocorre involuntariamente em sincronia com o que virá depois. A delicadeza e os contornos subjetivos da narrativa deste trabalho desvelam o ato de perceber como manufatura do olho. É relacional ao grau de doação que você comparte com as imagens.

Em Ausências habitadas (2011), Mariana David, insere a estratégia conceitual do desconforto, da entrevisão por meio da paisagem que compõe os indivíduos e suas ramas vermelhas. O que fizera de rarefeito em Antes é aqui composto de situações incompatíveis para abrigarem embates entre representação, interferência e retórica contemporânea. Ou seja, um modo seu, peculiar, de chegar na outra ponta da curva, onde podemos parar para pensar no quão fértil é lidarmos com o mundo através desse encontro. Quando começamos a deslocar por símbolos, quando a fotografia começa a fazer sentido para cada um de nós.

Georgia Quintas, março de 2012.

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Ensaio “Ausências habitadas”, 2011

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BIOGRAFIA

Salvador (BA), 1982.

Meu primeiro contato com a fotografia veio com as muitas fotos da família, todas bem guardadas em álbuns que até hoje me divertem e emocionam.

Em 2003, me formei em Direito, já decidida a mudar os rumos. Foi neste mesmo ano que fiz meu primeiro curso de fotografia, na Casa da Photographia de Salvador. Comecei com uma Nikon 35mm, analógica, que sigo usando e amando. Continuei fotografando, mas, apesar disso, fui estudar Antropologia. Durante o curso, comprei uma câmera digital e comecei a fotografar mais regularmente.

Em 2008, fui selecionada em um edital de Salvador e tive a minha primeira exposição individual. Nos anos seguintes, continuei participando de diferentes mostras e concursos da cidade. Em 2009, fui premiada nos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia.

Sempre atuei como fotógrafa freelancer, fotografando os principais grupos de teatro e dança de Salvador, além de colaborar com frequência para publicações locais. Ciente de que precisava estudar, decidir ir morar em Buenos Aires, onde fiz um série de cursos e trabalhei como assistente do fotógrafo Alejandro Montes de Oca e do artista e professor Augusto Zanela.

Atualmente, curso mestrado em Historia da Arte Latino-americana em Buenos Aires, onde minha pesquisa tem como foco a fotografia latino-americana do séculos XX e XXI. Vivo entre Salvador e Buenos Aires, onde desenvolvo e penso os meus projetos autorais, razão de toda a minha busca e amor em relação à fotografia.

Site: http://cargocollective.com/marianadavid

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