A foto que eu queria ter feito
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Mariano Klautau

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ron-galellaFoto: Ron Galella – Jackie Onassis, Nova York (1971)

Essa imagem de Ron Galella – certamente a mais famosa que ele fez em sua carreira de paparazzo – está ligada a todos os valores mais convencionais instituídos para legitimar a fotografia: a captação do instante, a documentação de um fato por mais banal que seja, a indústria do entretenimento, o culto midiático à celebridade, a exploração da intimidade e da figura feminina como produto, o acaso e o momento decisivo, entre outras variáveis.

Mesmo assim, é impossível resistir ao arrebatamento e à sedução envolvidas nesse instantâneo que Galella conseguiu de Jackie Onassis atravessando uma rua de Nova York em 1971. Com a mesma concentração do franco atirador ou do fotógrafo caçador como bem definiu Cartier-Bresson, Galella conseguiu captar Jackie Onassis “flutuando” sobre a rua em um quase sorriso que se tornou não só emblemático da carreira do fotógrafo, mas principalmente na imagem de uma época que representou o auge da atividade dos paparazzi.

Mas quem acredita inocentemente no mito do acaso ou do momento decisivo, deve saber que o que levou Ron Galella das páginas das revistas de celebridades para o mundo da arte e das galerias foi a sua capacidade de planejar e arquitetar o acaso; construir imagens apoiadas no frescor dos encontros. Eu queria ter feito essa foto precisa e casual, ou melhor, mais importante que fazê-la eu queria ter estado ali dentro do táxi e ter visto e vivido o momento em Jackie Onassis cruzaria o meu caminho.

Mariano Klautau Filho.

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