Author: Georgia Quintas

Ver torna-se experiência

No escuro, adensamos imagens dissolutas. Damos formas ao que nunca possuiu, esgarçamos possibilidades à mercê de encontrarmos um novo território; certa espacialidade que não determina certezas, mas que assegura imagens, rascunhos de sensações. Através dela, a escuridão, vemos mais pelo que perdemos em sua latência insinuada do que pelo que apreendemos em seus lapsos de luz.

Martín Batallés

O pressuposto do belo não é a primazia do trabalho de Batallés (apesar de o ser), mas sim a força da magia. De tudo que gera a ficção pela superação da realidade. O real é mutável e a fotografia o pêndulo que a coloca no mundo da nossa percepção como reflexão aprofundada de ideias.

Fernando Gómez

Com grande habilidade, Gomez identificou que a fotografia poderia enfatizar seu contexto social e cultural e, de alguma maneira, modificar a realidade de dificuldades, infortúnios, desilusão e solidão que a pobreza e falta de oportunidades envolvem as pessoas. De modo que como taxista discorre sobre suas “viagens” com olhar sutil e antropológico.

Cannon Bernáldez

A fotógrafa mexicana Cannon Bernáldez busca plasmar miedos neste ensaio. Não identidades definidas e tampouco a experiência documental. O recurso é a criação. Transbordar esquemas que insinuem algo, nem muito contundente nem muito plausível.

Pedro David

Abandonar o instante e se apropriar da paisagem na tentativa de abstrair os clichês – que tal tema muitas vezes provoca –, trata-se do esforço em rever o conceito e convertê-lo em proposta de suspender o lugar. De modo que se possa conduzir os “sertões” em sua aura de símbolos e narrativas mais largas e criativas.

Nico Silberfaden

Nico Silberfaden apresenta crianças, cujas identidades respiram a extensão das coisas, dos objetos escolhidos. A dinâmica nonsense alarga os significados dos valores materiais. Gestos e situações geram os símbolos da rede social que toca a todos nós.

Alexander Apóstol

Muito embora, a fotografia de arquitetura seja entendida por alguns como árida, excessivamente concreta e formalística, para o campo das ideias e do conceito, tais imagens são reveladoras (como não pensar aqui nos fotógrafos alemães Bernd e Hilla Becher e em sua complexidade dos espaços num tempo pós-industrial).