Rui Mendes

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QUEM | Rui Mendes.

ONDE | São Paulo.

PORQUE | Quem acompanha a fotografia do rock nacional, da música brasileira, desde o começo da década de 1990, deve conhecer Rui Mendes. Se não conhece o nome, conhece a sua estética e os seus retratos. Revistas de música como a Bizz (depois Showbizz), capas de disco e, depois, videoclipes, tiveram em Rui Mendes um dos mais influentes fotógrafos. Retratista de primeira, Rui estampa as suas fotos em capas de revistas, campanhas publicitárias e editoriais. Particularmente, fui extremamente influenciado por Rui. Tinha assinatura da Bizz e era fã das suas fotos.

Currículo fornecido pelo fotógrafo:

Rui Mendes cursou fotografia no Fort Vancouver Junior College, em Vancouver, WA, nos anos de 1978/79. Em 1980, ingressou na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo onde fundou o grupo anarquista “Os Picaretas”. De 84 a 86 foi articulista no caderno de informática na seção “Fotografe sem Mistério” da Folha de São Paulo. Nesta época começou a fotografar capas de disco do incipiente movimento roqueiro dos anos 80. RPM, Lulu Santos, Camisa de Vênus, Legião Urbana, Barão Vermelho, Ira!, Titãs, Capital Inicial, Kiko Zambianchi, Inocentes, Ultraje a Rigor, Ratos de Porão, Sepultura, Skank e tantos outros foram clicados por Rui. Hoje trabalha para diversas publicações do mercado editorial como as revistas Vogue, Casa Vogue, Vogue RG, Trip, Natura, Mitsubishi, Gol, V, Época Negócios, Galileu e TPM entre tantas outras. Sempre na confecção de retratos, que já lhe proporcionaram sete indicações ao Prêmio Abril e duas indicações ao Prêmio Funarte de Fotografia, do qual foi finalista, em 98, pelo trabalho “A Velha Guarda do Samba”.

Dirigiu e fotografou videoclips como os de Chico Science e Nação Zumbi, Syang, Charlie Brown Jr., Virgulóides, Viper, Negritude Jr., Racionais MC’s, Rodox, Arnaldo Bastista, Sonic Junior, PR.5, Léo Jaime, Daniel Belleza e Mundo Livre S.A., que foi indicado a melhor clip do ano no MTV Awards de 1998. Em 1995 começou a trabalhar no mercado de filmes publicitários como diretor de fotografia, na Chroma Filmes, ao lado do diretor Carlos Mendes, participando da produção de comerciais de clientes como Banco do Brasil, BCP, Fiat entre outros. Em 2000 ganhou a medalha de bronze com a campanha da Companhia das Letras, feita pela Almap, no festival de mídia impressa em Cannes. Seus últimos trabalhos na publicidade foram anúncios para o Grupo VR, GVT, MASH, Natura, Rede TV e a campanha mundial de Emirates para a linha Dubai/Brasil. Em 2007 desenhou a luz da peça teatral “Elogio do Crime” do grupo “Teatro de Alvenaria” e dirigida por Luciana Barone. Ultimamente vem desenvolvendo trabalhos com os grafiteiros de São Paulo e um livro de seus retratos sobre música.

EXPOSIÇÕES:

“Roqueiros” (Individual/1992) – Foto Lee Galeria – SP.
“Os Heróis do Samba” (Individual / 2002) – Pinacoteca do Estado de São Paulo – SP
“Os Heróis do Samba” (Individual / 2002) – Secretaria de Cultura de Santo André – SP.
“A Imagem do Som do Rock Pop Nacional” (Coletiva / 2003) – Paço Imperial – RJ
“Entrudo” (Individual / nov 2003 a fev 2004) – Museu Nacional de Belas Artes – RJ.
“Entrudo” (Individual/jan 2005 a abril 2005) – Pinacoteca Do Estado de São Paulo – SP.
“Atropelo”(em parceria com o grafiteiro Jey/abril 2006 a junho de 2006) – Galeria Grafiteria – SP

Flickr de Rui Mendes, aqui.

Mais trabalhos, aqui.

Bezerra da Silva, 2004

Chico Science, 1995

OLHA, VÊ Como você começou a fotografar?

RUI MENDES Comecei com 16 anos fazendo aulas de fotografia em Vancouver, Washington no ano de 1978…

OLHA, VÊ Você criou uma certa “estética” em casos como a revista Bizz (depois Showbizz) e em centenas de capas de disco. Isso foi intencional?

RUI MENDES Eu estava inserido no movimento, então era tudo muito natural…

OLHA, VÊ Nas suas produções editoriais, a liberdade era total?

RUI MENDES Sempre fui um pouco “rebelde”. Nunca levei muito em conta os briefings. Procuro me informar a respeito do sujeito e não ter uma idéia pré concebida. Jornalista dificilmente dá bons palpites em relação a imagem e diretor de arte bom, no nosso mercado, dá para contar nos dedos…eheheh…

OLHA, VÊ Você tem uma capa de disco e revista que você prefira ou poderia colocar como as mais expressivas de sua carreira?

RUI MENDES Gosto muito da capa que fiz pro Ira! junto com meu parceiro Zé Carratu: “Música Calma Para Pessoas Nervosas”. A capa da revista Rolling Stone com o Rodrigo Santoro gosto pela simplicidade…

OLHA, VÊ O nome Rui Mendes sempre foi muito ligado ao Rock dos anos 80 e 90. Você era (é) roqueiro?

RUI MENDES Sempre fui eclético e sempre ouvi Stones, Beatles, Led, TRex e companhia, mas nunca deixei de ouvir a boa MPB.

OLHA, VÊ E a ligação com o samba, como começou?

RUI MENDES Sou de família baiana… Que me desculpe o pessoal de São Paulo pra baixo, mas o nordestino e muito mais rico musicalmente. Meu pai era fã de carteirinha de Clara Nunes. Cresci ouvindo Noel, Cartola e Chico Buarque…Aí um belo dia a Bizz me mandou fotografar Carlos Cachaça…

Cibelle, 2003

Ed Motta, 2003

Paulo Ricardo, 1990

Renato Russo, 1992

Seu Jorge, 2006

OLHA, VÊ Dando uma olhada na sua carreira, podemos afirmar, que você é um dos mais expressivos “retratistas” do Brasil. O que é fundamental para fazer um belo retrato/portrait?

RUI MENDES Treino… Fotografar é prática como qualquer outro ofício. Depois de 29 anos como profissional você adquiri certas manhas que simplificam seu trabalho…Eu por exemplo acho que um bom retrato você consegue nos primeiros cinco minutos…

OLHA, VÊ Hoje, o que lhe atrai fotografar ou ainda pensa em fazer?

RUI MENDES Estou terminando meu livro sobre música… Depois farei um só de retratos… Estou fazendo um trabalho em lightpainting com meus parceiros, Jey e Zé Carratu para uma próxima exposição… Sou um retratista e não canso de fazer retratos… O que mais me instiga é fotografar na rua…

OLHA, VÊ E os videoclipes? Foi natural a passagem para a imagem em movimento?

RUI MENDES Sempre quiz fazer cinema e acho natural um fotógrafo fazer cinema… Se não tivesse adoecido estaria filmando muito mais…

[O clipe da música Bolo de Ameixa, da banda pernambucana Mundo Livre S/A, pode ser visto no Youtube clicando aqui.]

OLHA, VÊ O que lhe chama atenção na fotografia atualmente? Fotógrafos, publicações, etc. E a Fotografia Brasileira?

RUI MENDES No geral nossa fotografia sempre teve ótimo nível…Tem muita gente boa em todas as áreas…Cássio Vasconcellos tem um trabalho genial e no retrato Kiko Ferriti tem se destacado…

OLHA, VÊ Em 1996, fiz um workshop com você chamado “O Potencial Criativo” na Clínica Fotográfica (SP). Lembro que você tinha uma forte relação com o laboratório, com a qualidade da iluminação e todos os detalhes envolvidos na produção de uma imagem. E hoje, qual a sua relação com o digital?

RUI MENDES Estou no digital há um ano e meio… Resisti bastante não por preconceito e sim por economia… Hoje já estou adaptado e passo horas na frente do Photoshop… Acho saudável este perpétuo apredizado… O Photoshop é uma ferramenta genial…

Tom Zé, 2007

Comentários 9

  1. Walerio Rosa 26/06/2010

    Grande Rui,
    Maravilhosa entrevista,entenddo bem o que vc diz,trabalhei com vc em varios Clips,alem do mais tenho na parede da minha casa fotos suas,sou um fã!!
    Abraço,
    Walerio Rosa

  2. marcos ribeiro 22/06/2009

    Parabens pro Rui e pela entrevista.concordo totalmente com o Juan: O Rui não tem modismo e sua fotografia é viceral, com soluções inesperadas, econômico em equipamento e generoso em expressão.Manda vê Rui!

  3. Dispensa comentários essa entrevista.
    Show de bola!
    E quem foi que disse que a sofisticação não
    está na simplicidade?!

    😀

  4. Rui Mendes é excelente, por tudo que falaram acima, tanto por dar muito ênfase a sua autoria, como por ter um dialogo direto com o fotografado, ao invés de pegar ícones e simbolos passados por terceiros.

    E com isso tudo, ainda consegue fazer uma fotografia excelente, com rapidez.

    Ótima entrevista!

  5. Fiquei lisonjeado com a entrevista do Alexandre e com o post do Juan Esteves…muito obrigado a vocês. Tenho uma correção a fazer: a capa do disco do Ira! foi feita a 6 mãos. Esqueci do Michel Spitale que foi o diretor de arte da bagaça e aguentou eu o Carratu e a banda…

  6. Juan Esteves 15/06/2009

    Rui Mendes é máximo! Seu despojamento alcança uma coisa rara no retrato que é o diálogo direto com o observador, sem firulas nem nada! Sua postura iconoclasta não tem igual. É um dos raros fotógrafos que não deixa de lado sua autoria em benefício de um modismo ou de um briefing qualquer! A história da imagem na música popular é contada assim: Antes e depois de Rui Mendes! Viva amigo Rui! Viva!!

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