Daniel Klajmic

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Pelo que já fez e pela boa fama que tem no meio, poderia pensar que o fotógrafo carioca Daniel Klajmic tivesse 44 anos. Vendo o que já produziu no seu site, poderia pensar que tivesse 54. Na realidade, Klajmic tem 34 anos e aos 24, já era badalado. Porém, nada tira a humildade e a cuca fresca deste fotógrafo.

Foto: Cal Vasques

OLHAVÊ – Como você conheceu a Fotografia?

DANIEL KLAJMIC – Tive contato com a fotografia durante meu primeiro ano de Faculdade no RJ. Eu cursava Comunicação Social e estava sempre buscando uma forma de me comunicar… Tocava guitarra, desenhava, lia muito e quando comecei a fotografar, percebi que a fotografia era uma maneira muito direta de mostrar seu ponto de vista, “sua” opinião às pessoas.

OLHAVÊ – Você inicia uma carreira com sucessos bem prodigiosos, aos 20 anos de idade. Uma busca no Google com o seu nome traz dezenas de referências sobre isso. A sua imagem poderia ser construída em cima de um fotógrafo estrela ou algo do gênero. Porém, quem teve a oportunidade de trocar duas palavras com você, sabe que é o contrário. Conte um pouco sobre sucesso vs. a rotina e sobre seguir a vida após tocar no topo.

DANIEL KLAJMIC – Na verdade, eu tinha 24 anos quando fotografei a campanha da Max Factor e tinha 26 quando recebi o convite da coleção Pirelli/Masp (11º edição). O que, na época, significava que eu era o mais jovem fotógrafo a fazer parte do acervo. Não sei agora se isso ainda se mantém.

De qualquer forma, comecei a trabalhar como assistente, no estúdio do Luiz Garrido, aos 19 anos e aos 23 já assinava meus primeiros trabalhos.

Acho muito legal ter começado cedo, mas também acho que isso tem um preço. Você acaba vivendo tudo muito cedo e também acaba se enchendo de tudo muito cedo. Nunca me considero ou nunca me considerei no topo de nada. Acho que a atividade fotográfica é um fluxo constante, e, principalmente, na área comercial e editorial, onde os desafios são diários. Tenho vontades, idéias, inspirações, desejos fotográficos e isso tudo vai me levando… Procuro ir indo…

OLHAVÊ – Por que a mudança do Rio para São Paulo e como isso influenciou no seu trabalho?

DANIEL KLAJMIC – Após voltar de uma temporada de trabalhos em Paris e NY (havia fechado um contrato de agenciamento no exterior), comecei a fazer alguns trabalhos de publicidade em SP, e, ao mesmo tempo, conheci a minha esposa, Chiara, que morava em SP… Então: 1+1 virou 2 e eu resolvi me basear aqui.

O meu trabalho comercial cresceu muito, montei estrutura, etc… Mas, o meu trabalho pessoal sofreu bastante com a mudança. Eu adoro SP, mas ainda tento estabelecer uma relação com a cidade como a que eu tinha no RJ. Ainda não me achei.

Fotos: Daniel Klajmic – Arezzo, 2003

Ensaio Elza para a revista Oi, 2003

OLHAVÊ – Aos poucos, você tem se aventurado numa fotografia mais documental. Isso faz parte de uma vontade de “projeto paralelo” ou é um refresco autoral?

DANIEL KLAJMIC – Acho que um pouco de tudo. Desde que voltei da temporada no exterior citada acima (com direito a 11 de Setembro e tudo mais), que venho questionando a fotografia de moda e a produção de fotografia de moda no Brasil. Voltei pro Rio em janeiro de 2002 e munido de uma Leica M6 e uma lente fui ao piscinão de Ramos. Esse movimento deu origem ao meu primeiro trabalho de cunho documental. Eu sempre me interessei pelo aspecto humano e pelo comportamento. Acho que a fotografia de moda, portrait, documental e fotojornalismo falam disso tudo e não precisam estar tão distantes entre si.

OLHAVÊ – Quais são as suas influências e referências?

DANIEL KLAJMIC – Sou muito influenciado por fotógrafos que transitam nessas áreas que citei acima. Sou muito fã do Phillip Lorca-Dicorcia, do Juergen Teller e do Nick Knight, mas também gosto muito do trabalho do Paolo Pellegrin, do Alex Majoli e do Antoine Dagata. Tenho prestado muita atenção no Bruce Weber ultimamente, pois acho que ele tem muito disso que falei: fotografa moda, comportamento e portrait tudo misturado e de uma maneira muito própria, muito natural. Também olho muito pra pintura, como referência Lucian Freud e Edward Hopper são bons exemplos de pintores que sempre olhei.

OLHAVÊ – Bob Wolfenson, em entrevista aqui no Olhavê, disse a seguinte frase: […] Contudo, o que ocorre hoje é que a fotografia publicitária deixou quase de ser fotografia pura. Ela é quase sempre uma montagem de vários clicks, o que justifica um pouco a anulação da autoria para o fotógrafo. […]”. Como fugir disso ou conviver com isso?

DANIEL KLAJMIC – A publicidade é um capítulo a parte. Acho que você tem que estar preparado para se relacionar com ela. Tem que saber se colocar, mas também tem que saber o que esperar dela. A publicidade exige um certo desprendimento. Ultimamente, tenho notado uma tendência ao estilo natural. Tenho feito bastante trabalhos com um ou dois clicks. Acho que a autoria não esta proporcionalmente ligada ao numero de clicks. A autoria do click publicitário esta subjulgada a autoria do lay-out a ser executado. Pra mim, a grande “graça” desse click está no aspecto técnico ou caminho escolhido para a resolução do lay-out.

OLHAVÊ – Você tem uma relação com a fotografia analógica bem intensa não é? É saudosismo ou apuro técnico?

DANIEL KLAJMIC – Minha formação é toda analógica. Trabalhei em estúdio, em laboratório. Hoje trabalho, no dia-a-dia, exclusivamente, com digital. Acho muito difícil a transição, principalmente no que diz respeito ao trabalho pessoal. Tem alguns aspectos do digital que me agradam bastante, mas ainda tenho saudade do filme… Sei lá… Já pirei muito com tudo isso…

OLHAVÊ – E agora você tem dirigido filmes comerciais. Como foi este pulo? É um caminho natural ou necessidade para se adequar ao mercado?

DANIEL KLAJMIC – Acho que é um caminho natural, ainda mais hoje em dia, com as famosas DSLRs que filmam, etc… Eu comecei a filmar de um desejo que surgiu de um dos meus clientes em ter a foto e o filme com a mesma “cara”.

>>Exemplos aqui, aqui, aqui e aqui.

Fotos: Daniel Klajmic – Ensaio para a Vogue, 2000

Piscinão, 2002

Comentários 4

  1. dimitri 08/05/2011

    sempre faltou dos teoricos uma definião clara do que é digital e analogico.

  2. dimitri 08/05/2011

    defesa da tese:
    O que define o digital é o campo descontinuo
    O cristal de prata ou está exposto ou não, portanto o campo não é continuo.
    Conclusão: é digital

  3. dimitri 08/05/2011

    Caro alexandre
    Permitame-me um elogio: gosto muito do seu trabalho e do daniel tambem.

  4. dimitri 08/05/2011

    Caro alexandre
    Permita- me uma correção.
    Nunca houve fotografia analogica.
    Abraço
    Dimitri Lee

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