Fotógrafos da cena contemporânea

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Foto: Brígida Baltar – A Coleta da Neblina, 1998 – Fotografia Cor sobre Papel

No próximo sábado, 19 de novembro, será aberta a exposição Fotógrafos da Cena Contemporânea. Se trata de uma parte da coleção do Banco Santos que fica guardada no MAC/USP. São 63 obras de diversos autores com o recorte pontual na produção contemporânea. Uma sala especial foi criada para mostrar imagens mais fortes. Por lá, só maiores de 18 anos.

A curadoria é da professora Helouise Costa que enviou o texto publicado abaixo.

SERVIÇO:

Abertura: 19 de novembro, às 11 horas
Encerramento: 15 de abril de 2012
Funcionamento: terça e quinta das 10 às 20h; quarta, sexta, sábado, domingo e feriado das 10 às 18 horas. Segunda fechado.
Local: MAC/USP – Cidade Universitária – Rua da Praça do Relógio, 160 – São Paulo

Fotógrafos da Cena Contemporânea

Helouise Costa

O momento decisivo foi um ideal perseguido por diversas gerações de fotógrafos que buscaram capturar, no curso da própria vida, imagens capazes de revelar o sentido mais profundo dos acontecimentos. A partir do final da década de 1950, no entanto, esse tipo de imagem começou a mostrar-se insuficiente para dar conta das transformações advindas da chamada pós-modernidade. O instante extraído do fluxo da vida deixaria de exercer o seu poder revelador e a imagem fotográfica passaria a ser apenas mais um dos mediadores da experiência de estar no mundo, seja do fotógrafo ou seja do artista.

Esta exposição reúne imagens da Coleção Banco Santos com algumas poucas obras pertencentes ao acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Buscou-se delinear um panorama dos temas e questões recorrentes nos trabalhos produzidos a partir da década de 1950. Essa coleção já foi aqui objeto de uma outra mostra intitulada Fotógrafos da Vida Moderna. Desta vez o recorte temporal abarca os anos de 1954 a 2005 e evidencia uma mudança radical na atitude do fotógrafo/artista. Este passa a empregar o dispositivo fotográfico em sentido amplo, o que inclui não só a tomada tradicional com a câmera, mas também a construção da imagem por meio de encenações e manipulações, a fusão com outros meios, a retomada de processos fotográficos extintos ou ainda o uso de recursos digitais.

Já do ponto de vista temático é possível identificar preocupações que passam pela relação entre cultura e natureza, pela materialidade do corpo na sua ambígua existência enquanto sujeito e objeto, bem como pelas determinações que a fotografia impõe às ações e performances artísticas. A multiplicidade dos papéis e práticas sexuais na atualidade, por sua vez, ganhou uma sala especial. Nela os limites do que pode ou não ser considerado obsceno são colocados à prova. O público será desafiado a pensar sobre as questões morais e éticas suscitadas pela exibição de certos tipos de fotografia no espaço de um museu de arte.

Por fim, convidamos o visitante a um desafio talvez ainda maior que é o de se perguntar sobre a presença multiforme da fotografia no universo da arte contemporânea. Não se trata de defender a especificidade da imagem fotográfica ou, ao contrário, de levantar a bandeira da hibridação com outras mídias como a única via da criação artística. Trata-se de simplesmente reconhecer que o fotográfico ainda não esgotou sua potência crítica e continua a gerar em nós muito mais indagações do que somos capazes de responder.

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A exposição apresenta trabalhos dos seguintes artistas: Adriana Varejão, Alioune Bâ, Andres Serrano, Antonio Guerreiro, Arthur Omar, Benedetta Bonichi, Bob Kolbrener, Brígida Baltar, Claudio Edinger, Cris Bierrenbach, Daniel Klajmic, Dave Muller, Doug Hall, Ed Van der Elsken, Fábio Cabral, Felipe Goifman, Fuyuki Hattori, Gabriel Orozco, Glenn Ligon, Hudinilson Junior, Jan Saudek, Janaina Tschäpe, Janet Cardiff & Georges Bures Miller, Jean-Luc Moulène, Jeff Wall, Joel Peter-Witkins, John Coplans, Judy Dater, Kishin Shinoyama, Koo Jeong-a, Lucien Clergue, Mario Cravo Neto, Misha Gordin, Nils Udo, Nobuyoshi Araki, Odires Mlászho, Olafur Eliasson, Oliviero Toscani, Paul Mccarthy, Pierre Molinier, Rafael Assef, Rankin (John Rankin Waddell), Rirkrit Tiravanija, Stuart Lester Rankin, Valie Export, Vanessa Beecroft, Vicente de Mello, Vik Muniz, e Walter Niedermayr.

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  1. juan esteves 22/11/2011

    Interessante notar nessa exposição, com recorte especial e preciso da curadora, o quanto ela foi bem elaborada pelo colecionador Edemar Cid Ferreira, em que pese a assessoria de curadores de renome que passaram pelo Banco Santos,que o ajudaram a formatá-la A visão ampla, sem preconceito e aberta a diferentes autores e vertentes imagéticas permitiu uma assemblage muito especial que não encontramos em muitos museus importantes neste pais. Acredito que o conjunto completo dessa grande coleção ainda vai ser fonte de muitas outras boas mostras!

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